Benefícios das fibras: O que a ciência revela sobre intestino, coração e longevidade
Autor: Tomás Savin — Redator de saúde
Revisado por Sérgio Medeiros — Farmacêutico CRF-59232 – Especialista em Farmácia Clínica
Revisão científica: Editor Científico VivaBemCsaude
Data de publicação: 07/01/2023
Data de revisão: 11/03/2026
Atualizado em: 28/03/2026
Fontes: Nature, PubMed ,MDPI, OMS, Ministério da Saúde.
O que são fibras alimentares?
Os benefícios das fibras para a saúde têm sido amplamente estudados por pesquisadores nas últimas décadas. As fibras alimentares são um dos componentes mais pesquisados na nutrição moderna. Apesar de não serem digeridas pelas enzimas do corpo humano, elas exercem papéis fundamentais no funcionamento do intestino, na saúde metabólica e na prevenção de doenças crônicas.
As fibras, que estão naturalmente presentes em frutas, verduras, legumes, leguminosas, sementes e cereais integrais, fazem parte da dieta humana há milênios. No entanto, nas últimas décadas, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados levou a uma redução significativa na ingestão desses alimentos em várias populações.
Neste contexto, entidades internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a American Heart Association sugerem aumentar a ingestão diária de fibras como uma estratégia para melhorar a saúde cardiovascular, metabólica e digestiva.
Dentro desse cenário, os pesquisadores começaram a estudar não só os efeitos das fibras no intestino, mas também como elas afetam a microbiota intestinal, o sistema imunológico, o metabolismo da glicose e a longevidade.
Fibras solúveis e insolúveis: Como funcionam no corpo e por que protegem o coração
Em termos gerais, segundo o Ministério da Saúde, as fibras alimentares podem ser classificadas em solúveis e insolúveis, sendo ambas fundamentais para a saúde. Nesse sentido, as fibras solúveis se dissolvem em água, criando substâncias viscosas, ao passo que as fibras insolúveis não se dissolvem e transitam pelo intestino sem sofrerem alterações significativas.
Evidências científicas apontam que as fibras solúveis podem auxiliar na redução do colesterol, beneficiando a saúde cardiovascular, embora seus efeitos dependam do contexto da dieta. Além disso, alimentos como aveia, feijão e frutas também as contêm.
Nesse contexto, as fibras insolúveis desempenham um papel fundamental no aumento do volume das fezes e na promoção do trânsito intestinal. Evidências indicam que ambas estão presentes em frutas com casca, vegetais de folhas verdes, grãos e cereais integrais.
No entanto, evidências científicas indicam que a combinação desses dois tipos de fibras pode melhorar a função intestinal e beneficiar a saúde metabólica e cardiovascular.
Fibras alimentares: Evidências científicas, consumo insuficiente e impactos na saúde intestinal e cardiovascular
Em geral, as evidências indicam que o consumo de fibras alimentares continua baixo em muitas populações. Nos Estados Unidos, por exemplo, a média diária em adultos é de aproximadamente 17g, valor inferior ao recomendado. Cerca de 94% da população não atinge os níveis adequados, embora haja variações individuais.
Com base nessas evidências, as fibras são divididas em solúveis e insolúveis, sendo que ambas desempenham funções complementares. As fibras solúveis, encontradas em:
- frutas;
- aveia;
- leguminosas.
De acordo com as evidências científicas, podem contribuir para a redução do colesterol, o que está relacionado à saúde cardiovascular, embora esse efeito dependa do padrão alimentar como um todo.
A partir dessas evidências as fibras insolúveis presentes em:
- grãos integrais;
- vegetais;
- frutas com casca
Essas fibras têm um papel fundamental no aumento do volume das fezes e para a melhoria do trânsito intestinal. Em resumo, dados científicos indicam que uma ingestão adequada de fibras está ligada a benefícios metabólicos e intestinais, especialmente quando a dieta é equilibrada.
Fibras na dieta: o que a OMS recomenda e os efeitos reais na saúde intestinal e metabólica
Em geral, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que os adultos consumam cerca de 400 g de frutas e vegetais diariamente, além de cerca de 25 g de fibras alimentares por dia. No entanto, essas quantidades podem variar de acordo com o padrão alimentar e o contexto individual.
Sob essa perspectiva, pesquisas sugerem que uma ingestão adequada de fibras está ligada à melhoria do trânsito intestinal, à regulação da microbiota intestinal e ao equilíbrio metabólico. Além disso, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) indica que dietas ricas em fibras podem ajudar a diminuir o risco de câncer colorretal, embora esse efeito dependa do padrão alimentar geral.
Quanto de frutas, vegetais e fibras crianças e adolescentes devem consumir, segundo a OMS?
Em vista disso, as diretrizes também definem valores progressivos para crianças, para as que têm:
- de 2 a 5 anos, cerca de 250 g de frutas e vegetais
- para as que têm de 6 a 9 anos, aproximadamente 350g;
- a partir dos 10 anos, cerca de 400g.
Evidências científicas indicam que essa progressão está alinhada com as demandas fisiológicas durante o desenvolvimento.
E as seguintes recomendações de ingestão de fibras alimentares naturalmente presentes nos alimentos:
O que a ciência sabe atualmente sobre as fibras?
A fibra alimentar, encontrada em alimentos de origem vegetal, é essencial para a saúde das pessoas. Estudos científicos mostram que aumentar a ingestão de fibras está ligado a uma diminuição no risco de doenças crônicas, como doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade, câncer de cólon e inflamações. Diante desses achados, o consumo regular é visto como uma estratégia eficaz para prevenir doenças e promover a saúde global.
Por muitos anos, a principal função das fibras foi considerada a prevenção da constipação intestinal. No entanto, a literatura científica recente indica que seus efeitos são muito mais abrangentes.
Uma extensa revisão sistemática conduzida por BMC Medicine e sua equipe analisou dezenas de estudos com centenas de milhares de participantes. Os autores notaram que pessoas que consumiam mais fibras tinham um risco menor de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, câncer colorretal e mortalidade por todas as causas.
Os pesquisadores observaram que dietas ricas em fibras estão ligadas a uma diminuição considerável no risco de morte por doenças cardiovasculares e metabólicas.
Com base nesses resultados, muitos especialistas começaram a ver as fibras como um dos componentes alimentares mais associados à promoção da saúde pública.
Fibras podem ajudar você a viver mais, aponta revisão com 17 milhões de pessoas
Uma revisão abrangente publicada na revista Clinical Nutrition examinou dados de 17,1 milhões de indivíduos e descobriu que um aumento na ingestão de fibras alimentares estava relacionado a uma redução no risco de várias doenças crônicas.
Os resultados mais confiáveis indicaram uma diminuição no risco de morte por doenças cardiovasculares, câncer de pâncreas e doença diverticular. Ademais, os pesquisadores notaram associações positivas com redução da mortalidade geral e diminuição do risco de doença coronariana.
De acordo com os autores, os benefícios das fibras podem estar ligados à promoção da saúde intestinal, ao controle dos níveis de glicose, ao metabolismo dos lipídios e à regulação da inflamação. Embora haja evidências sólidas, a maioria da população mundial ainda consome menos fibras do que o recomendado.
A pesquisa destaca que as fibras alimentares estão ligadas a uma variedade de benefícios para a saúde, particularmente na prevenção de doenças crônicas.
Ainda assim, o consumo global continua abaixo do recomendado em termos nutricionais.
Os autores enfatizam a importância de políticas públicas e novas pesquisas para compreender melhor os diversos tipos de fibras e seus efeitos particulares.
Fibras, microbiota e inflamação: O que acontece no intestino segundo estudos
A barreira intestinal desempenha um papel crucial na regulação da absorção de nutrientes, eletrólitos e água provenientes do lúmen intestinal, ao passo que bloqueia a entrada de microrganismos patogênicos e substâncias potencialmente tóxicas, auxiliando na proteção fisiológica do hospedeiro.
Uma alteração na barreira intestinal pode elevar a permeabilidade intestinal, facilitando a entrada de antígenos, microrganismos e toxinas do lúmen intestinal na circulação sanguínea. Nesse sentido, esse processo pode estar ligado ao desenvolvimento de um estado inflamatório de baixo grau no corpo.
Trilhões de microrganismos que formam a microbiota intestinal vivem no intestino humano. Essas bactérias estão envolvidas na digestão, na produção de vitaminas, na regulação do sistema imunológico e em várias outras funções metabólicas.
Essas bactérias benéficas se alimentam de fibras. Ao chegarem ao cólon, são fermentadas pelos microrganismos intestinais, resultando na produção de compostos chamados ácidos graxos de cadeia curta.
Entre os principais estão:
- Butirato;
- Acetato;
- Propionato.
Essas moléculas exercem funções importantes na manutenção da integridade intestinal e na modulação de processos inflamatórios.
Considerando esses dados, evidências experimentais em animais indicam que fibras fermentáveis podem alterar a microbiota intestinal e fortalecer a integridade da barreira intestinal.
Diante desses achados, uma pesquisa com camundongos mostrou que a ingestão de ácidos graxos de cadeia curta (acetato, propionato e butirato) diminuiu a permeabilidade intestinal causada por estresse e amenizou comportamentos parecidos com a depressão (Van de Wouw et al., 2018).
Sob esse ponto de vista, pesquisas com modelos animais sugerem que fibras como inulina e oligofrutose elevam a expressão de proteínas das junções intestinais e promovem bactérias benéficas, como Bifidobacterium spp., o que contribui para uma proteção mais eficaz da barreira intestinal.
Uma revisão publicada na Nature Reviews Microbiology apontou que dietas ricas em fibras favorecem uma maior diversidade microbiana, um aspecto geralmente ligado a uma boa saúde intestinal.
Nesse sentido, os pesquisadores acreditam que parte dos benefícios das fibras para a saúde cardiovascular e metabólica pode ser atribuída à microbiota intestinal.
Outro ponto relevante é que os dados obtidos em estudos com animais indicam uma conexão consistente entre a fermentação de fibras, microbiota e função intestinal, embora a aplicação desses achados em humanos ainda exija mais comprovações.
Fibras e inflamação: O que acontece no seu corpo segundo a ciência
Uma pesquisa observacional de grande escala publicada na revista científica Nutrients analisou a conexão entre consumo de fibras, fontes de proteína e o marcador inflamatório proteína C-reativa (PCR) em 128.612 idosos com 60 anos ou mais.
Nesse cenário, há indícios de que um maior consumo de fibras alimentares e proteínas vegetais está ligado a níveis mais baixos de PCR. Por outro lado, o consumo elevado de proteínas animais e proteína total está relacionado a um aumento na inflamação.
Em média, os participantes que consumiram mais fibras tiveram uma redução média na PCR de cerca de 0,42 mg/L. Em contrapartida, a combinação de alta ingestão de proteína animal e baixa ingestão de fibras foi relacionada a níveis de PCR até 0,65 mg/L mais altos.
Assim, os resultados indicam uma possível associação entre maior consumo de fibras e proteínas vegetais e redução dos níveis de inflamação em idosos. No entanto, como o estudo foi observacional, não é possível afirmar que há causalidade.
Pesquisas realizadas em modelos animais indicam que dietas ricas em fibras podem diminuir marcadores inflamatórios e contribuir para a manutenção da barreira intestinal, oferecendo possível proteção da mucosa em condições inflamatórias intestinais.
Estudos clínicos e revisões científicas publicados em periódicos, como Biomedicines indicam que o consumo de fibras pode contribuir para a regulação da inflamação intestinal em condições como colite ulcerativa e doença de Crohn. As evidências científicas indicam uma diminuição nos marcadores inflamatórios e uma melhoria na microbiota intestinal, e possível auxílio na manutenção da remissão clínica.
Dentro desse contexto, um estudo piloto analisou a utilização de cevada germinada em combinação com o tratamento padrão em pacientes com colite ulcerativa em remissão. Durante um período de dois meses, os participantes que receberam suplementação diária mostraram uma diminuição nas citocinas inflamatórias, como TNF-α, IL-6 e IL-8, em relação ao grupo controle.
Fibras podem ajudar a reduzir a inflamação? O que os estudos mostram
Dentro desse cenário, outra pesquisa clínica avaliou uma dieta semivegetariana rica em fibras (cerca de 32,4 g/dia) em pacientes recém-diagnosticados com doença de Crohn. Os resultados mostraram que, quando a intervenção dietética foi combinada com o tratamento farmacológico, as taxas de remissão clínica foram mais altas. Além disso, na fase de acompanhamento de longo prazo, a maioria dos pacientes continuou em remissão, o que levou os pesquisadores a considerar o possível papel das fibras na manutenção do controle da doença.
A partir dessas evidências, um estudo comparativo envolvendo pessoas em remissão ou com atividade leve da doença avaliou uma dieta rica em fibras em relação a uma dieta ocidental padrão. Os pesquisadores notaram que o padrão alimentar com maior teor de fibras estava ligado à diminuição dos marcadores inflamatórios e à melhoria da disbiose intestinal.
Ademais, estudos científicos mostram que a microbiota intestinal pode produzir compostos bioativos, como o ácido ferúlico, ao metabolizar fibras. Esse composto tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias no trato gastrointestinal. Pesquisas experimentais indicam que esse composto pode modular as vias associadas ao estresse oxidativo, apoptose e produção de citocinas pró-inflamatórias, embora os mecanismos ainda estejam em fase de investigação.
Em síntese, os dados indicam que padrões alimentares ricos em fibras podem ter um papel promissor na regulação da inflamação intestinal e na melhoria dos resultados clínicos em doenças inflamatórias intestinais.
Entretanto, apesar de os resultados serem consistentes em diversos modelos de estudo, ainda são necessários mais ensaios clínicos de longo prazo para confirmar de forma mais robusta a causalidade desses efeitos.
Fibras ajudam no controle da glicose? O que a ciência realmente mostra
Evidências de estudos clínicos e meta-análises publicadas na Nutrients indicam que as fibras solúveis podem melhorar o controle da glicemia em pessoas com diabetes tipo 2 e pré-diabetes.
Fibras como psyllium, β-glucano e inulina demonstraram efeitos consistentes na melhoria do metabolismo da glicose, reduzindo, por exemplo, a resposta glicêmica após as refeições. Segundo estudos recentes, os dados sugerem que as fibras solúveis podem ajudar a melhorar o controle glicêmico, embora ainda sejam necessários estudos de longo prazo.
Outro aspecto importante é que diferentes tipos de fibras possuem mecanismos complementares: o β-glucano está associado à melhora direta da HbA1c, enquanto fibras como inulina e glucomanano podem contribuir também para a modulação da microbiota intestinal e controle de peso, o que pode resultar em benefícios metabólicos indiretos.
Em resumo, as evidências sugerem que as fibras solúveis têm um papel importante na melhoria do controle glicêmico e da sensibilidade à insulina em pessoas com diabetes tipo 2 e pré-diabetes.
Apesar das evidências serem sólidas em meta-análises e ensaios clínicos, ainda são necessários estudos de longo prazo para confirmar completamente seus efeitos em diversas populações.
Fibras protegem o coração? O que os estudos científicos revelam
Evidências de uma revisão publicada na revista científica Nutrients conduzida por (Zhang et al., 2024) indicam que aumentar o consumo de fibras alimentares pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares.
Nesse cenário, sete estudos prospectivos com mais de 730 mil participantes, acompanhados por até 20 anos, mostraram que fibras principalmente de frutas, verduras e leguminosas estão associadas a uma menor ocorrência de problemas cardiovasculares. Além disso, nota-se que a fibra solúvel está mais consistentemente relacionada a benefícios cardiometabólicos.
Evidências sugerem que esses efeitos podem ser explicados por diferentes mecanismos, incluindo a redução do colesterol LDL, a melhora do perfil lipídico e o auxílio no controle da pressão arterial. Além disso, revisões indicam possíveis efeitos anti-inflamatórios e metabólicos associados ao consumo regular de fibras, contribuindo para a saúde cardiovascular.
Em resumo, os dados sugerem que padrões alimentares ricos em fibras estão ligados a uma melhor saúde cardiovascular, embora mais pesquisas sejam necessárias para confirmar a relação de causa e efeito.
Com base nessas informações, organizações internacionais sugerem a ingestão regular de alimentos ricos em fibras como um componente essencial de uma estratégia global para a proteção cardiovascular.
Fibra pode favorecer a perda de peso, revela estudo
Pesquisas divulgadas nas revistas científicas Nutrients e Foods indicam que a ingestão de fibra alimentar está ligada a resultados mais eficazes no controle do peso e na saúde metabólica.
De acordo com os pesquisadores, adultos com sobrepeso que elevaram a ingestão de fibras mostraram uma redução mais significativa na gordura corporal, aprimoramento do controle glicêmico e redução nos níveis de marcadores inflamatórios. Dentre todas as alterações na alimentação analisadas, o consumo de fibras foi o elemento mais consistentemente ligado aos benefícios identificados.
Resultados comparáveis foram observados em uma pesquisa publicada na revista Foods (2025), que analisou 813 adultos jovens. Os pesquisadores notaram que pessoas com sobrepeso ingeriam menos fibras em comparação com aquelas com peso adequado, além de consumirem menos frutas, verduras e legumes.
As evidências indicam que as fibras podem ajudar no controle do peso ao promover a sensação de saciedade, melhorar a qualidade da dieta e beneficiar a saúde metabólica. Por essa razão, alimentos como frutas, verduras, leguminosas e cereais integrais são comumente indicados em estratégias de perda de peso e prevenção de doenças cardiometabólicas.
Embora os resultados sejam promissores, mais pesquisas são necessárias para validar a conexão causal entre o aumento do consumo de fibras e os benefícios identificados. Mesmo assim, as evidências atuais indicam que uma dieta rica em fibras pode ajudar no controle do peso e na melhoria da saúde metabólica a longo prazo.
Pouca fibra na dieta? Veja como aumentar o consumo diariamente
Alterações simples na dieta podem elevar consideravelmente a ingestão diária desse nutriente. Dentre as estratégias mais indicadas, encontram-se:
- Dar preferência a frutas inteiras em vez de sucos;
- Ingerir verduras todos os dias;
- Trocar grãos refinados por integrais;
- Adicionar feijões e lentilhas à dieta de forma regular;
- Adicionar sementes como chia e linhaça às refeições;
- Diminuir a ingestão de alimentos ultraprocessados.
Outro aspecto importante é que o crescimento do consumo deve ser gradual.
Fibras em excesso fazem mal? Entenda os riscos e benefícios reais
Apesar de serem consideradas seguras para a maioria das pessoas, quantidades excessivas podem causar desconfortos gastrointestinais.
Os sintomas mais frequentes incluem:
- Gases;
- Inchaço abdominal;
- Cólicas;
- Mudanças no trânsito intestinal.
Ademais, a ingestão inadequada de líquidos pode diminuir os benefícios das fibras e agravar o desconforto digestivo. Por esse motivo, especialistas recomendam aumentar simultaneamente o consumo de água.
Fibras podem ajudar a preservar a massa muscular durante o envelhecimento, sugerem estudos
Estudos recentes indicam que a saúde intestinal pode afetar a massa muscular e a força física durante o processo de envelhecimento. Uma análise divulgada na revista Nutrients constatou que os idosos com melhor desempenho muscular geralmente possuem uma microbiota intestinal mais variada e uma maior quantidade de bactérias produtoras de butirato, substância originada da fermentação de fibras alimentares.
Dentro desse cenário, há evidências de que dietas ricas em fibras podem promover um ambiente intestinal com menos inflamação e melhorar o metabolismo muscular. Além disso, uma meta-análise publicada na revista Bioscientia Medicina identificou uma relação entre certos aspectos da microbiota e indicadores de força e desempenho físico em pessoas idosas.
Ainda que os achados sejam positivos, os pesquisadores ressaltam que a maior parte das evidências disponíveis é de natureza observacional.
Em resumo, as pesquisas indicam que uma dieta rica em fibras, aliada à prática regular de exercícios, pode ajudar a preservar a massa muscular no processo de envelhecimento. No entanto, são necessários estudos clínicos mais abrangentes para confirmar essa conexão.
Fibras podem ajudar a proteger o organismo contra alterações relacionadas ao envelhecimento
As evidências científicas indicam que as fibras alimentares podem beneficiar não só a saúde intestinal, mas também outros aspectos da saúde metabólica.
Pesquisas experimentais indicam que fibras fermentáveis podem contribuir para manutenção de importantes barreiras protetoras do organismo como o intestino, a pele e até a barreira hematoencefálica, que é responsável por proteger o cérebro.
Quando a microbiota intestinal fermenta as fibras, elas produzem ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como butirato, acetato e propionato. Estudos sistemáticos publicados na revista Reviews on New Drug Targets in Age-Related Disorders sugerem que essas substâncias desempenham um papel na regulação da inflamação, do estresse oxidativo e na manutenção da integridade de diversos tecidos relacionados ao envelhecimento saudável.
Em tal contexto, uma pesquisa divulgada na revista Nutrition & Metabolism constatou que compostos ricos em fibras puderam ajustar a microbiota intestinal e os metabólitos associados aos processos biológicos do envelhecimento em modelos experimentais.
Do ponto de vista clínico, as pesquisas indicam que uma dieta rica em fibras pode promover um ambiente intestinal mais equilibrado e auxiliar nos mecanismos relacionados à proteção celular e à preservação das funções do corpo à medida que envelhecemos.
No entanto, embora os resultados apontem efeitos benéficos, a maior parte das evidências ainda provém de pesquisas experimentais e modelos animais.
Em resumo, os estudos sugerem que aumentar a ingestão de fibras pode ser uma abordagem importante para promover a saúde intestinal e vários processos biológicos associados ao envelhecimento. No entanto, são necessários mais estudos clínicos em humanos para confirmar esses efeitos.
Conclusão
As evidências científicas acumuladas nas últimas décadas indicam que as fibras alimentares exercem papel importante na saúde intestinal, metabólica e cardiovascular. Além de favorecerem o funcionamento do intestino, pesquisas sugerem benefícios relacionados ao controle glicêmico, à redução do colesterol, à saciedade e à modulação da microbiota intestinal.
Embora nenhum nutriente isolado seja capaz de prevenir doenças sozinho, a literatura científica demonstra de forma consistente que dietas ricas em alimentos naturalmente fontes de fibras estão associadas a melhores indicadores de saúde e menor risco de diversas doenças crônicas. Em síntese, aumentar o consumo de fibras continua sendo uma das recomendações nutricionais mais respaldadas pelas evidências científicas atuais.
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