Alimentação Vegana Saudável: O que a Ciência Revela
Autor: Tomás Savin — Redator de saúde
Revisado por Sérgio Medeiros — Farmacêutico CRF-59232 – Especialista em Farmácia Clínica
Revisão científica: Editor Científico VivaBemCsaude
Data de publicação: 18/11/2024
Data de revisão: 22/03/2026
Atualizado em: 24/01/2026
Fontes: Nature, PubMed, Online Library/Wiley, MDPI.
Nos últimos anos, a dieta vegana se tornou mais popular devido a questões éticas e ambientais, além dos potenciais benefícios para a saúde. No entanto, a qualidade nutricional desse padrão alimentar depende de um planejamento adequado e da consideração dos nutrientes essenciais.
A dieta vegana exclui alimentos de origem animal e prioriza frutas, legumes, verduras, leguminosas, grãos integrais, sementes e nozes.
Segundo a Academy of Nutrition and Dietetics, quando há um planejamento alimentar adequado, as dietas veganas podem ser apropriadas para todas as fases da vida..
“Sem um planejamento nutricional adequado, é possível que ocorram deficiências significativas de nutrientes essenciais.”Assim, o fator decisivo não é somente a eliminação de produtos de origem animal, mas a qualidade nutricional das opções alimentares.
Pesquisas indicam que esse padrão alimentar pode suprir as demandas nutricionais quando os nutrientes essenciais são monitorados adequadamente. Em várias condições, as diretrizes científicas sugerem a suplementação preventiva, especialmente de vitamina B12.
O posicionamento científico conduzido por Sudha Raj e colaboradores (2025) indica que esse padrão alimentar está ligado a benefícios significativos, particularmente quando fundamentado em alimentos integrais.
1. Dieta vegana é saudável mesmo? O que a ciência mais recente revela
Esse padrão alimentar prioriza alimentos vegetais e exclui produtos de origem animal.
Com base nessas evidências, a Academy of Nutrition and Dietetics afirma que esse padrão alimentar pode suprir as demandas nutricionais em diversas etapas da vida, desde que haja acompanhamento nutricional adequada.
Em contrapartida, uma dieta vegana mal elaborada pode levar a deficiências nutricionais significativas. Assim, o fator decisivo não é somente a eliminação de produtos de origem animal, mas a qualidade nutricional das opções alimentares.
Nos últimos anos, a dieta vegana tem se tornado mais popular, especialmente entre os jovens adultos, e é frequentemente ligada a vantagens para a saúde cardiometabólica. Entretanto, uma revisão científica divulgada na revista Cureus traz uma questão relevante: os potenciais efeitos negativos à saúde ainda são pouco abordados.
A pesquisa, liderada por Atul Bali e colaboradores (2023), examina as evidências mais recentes sobre os efeitos do veganismo, particularmente em grupos vulneráveis.
O que a ciência já atestou a respeito da dieta vegana:
Segundo a pesquisa, as dietas veganas estão ligadas a:
Diminuição da probabilidade de:
- Doenças do coração e dos vasos sanguíneos;
- Diabetes tipo 2;
- Sobrepeso;
- Esteatose hepática não alcoólica.
Esses benefícios estão relacionados, sobretudo, a:
- Redução na ingestão de gorduras saturadas;
- Aumento no consumo de fibras e antioxidantes;
- Estilo de vida geralmente mais equilibrado.
2. Dieta vegana é segura? O que os estudos mais recentes revelam
Várias análises sistemáticas sugerem que dietas veganas estão ligadas a um menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes tipo 2. Por exemplo, uma revisão publicada na Critical Reviews in Food Science and Nutrition (Dinu et al., 2017, atualizada em análises posteriores) indica uma melhora no perfil lipídico e uma diminuição no índice de massa corporal.
No entanto, os pesquisadores observaram possíveis riscos nutricionais. Dados de revisões recentes sugerem que as populações veganas apresentam uma maior incidência de deficiência de vitamina B12, ferro e ômega-3.
Com base nesses achados, pode-se concluir que a dieta vegana pode ser segura, desde que a seleção de alimentos seja feita com cuidado e supervisionada.
Quando bem balanceada, a dieta vegana pode ser segura. De acordo com a Academy of Nutrition and Dietetics, ela é capaz de suprir as demandas nutricionais e diminuir os riscos cardiometabólicos
Na prática clínica, é fundamental acompanhar a qualidade da alimentação, a suplementação e eventuais deficiências (como B12, ferro e vitamina D), além de analisar os efeitos na farmacoterapia.
3. Você está faltando nutrientes na dieta vegana? Veja os sinais segundo a ciência
Uma dieta vegana pode ser saudável e equilibrada, desde que seja adequadamente planejada. Para evitar deficiências e preservar os benefícios à saúde, é preciso dar atenção especial a alguns nutrientes.
De acordo com a Frontiers in Nutrition (2023), esse padrão alimentar está ligado à diminuição de doenças crônicas, porém exige uma ingestão adequada de nutrientes e, em certos casos, a deficiência de vitamina B12, D e EPA/DHA pode ocorrer de forma silenciosa. A seguir os nutrientes essenciais para uma dieta vegana.
Proteína de origem vegetal
Lentilhas, grão-de-bico, tofu e quinoa são fontes que oferecem aminoácidos essenciais. Apesar da digestibilidade poder variar, a combinação de diversas proteínas vegetais ao longo do dia geralmente é suficiente para suprir as demandas.
Ferro
O ferro de origem vegetal (não-heme) apresenta uma biodisponibilidade mais baixa. Entretanto, quando ingerido em conjunto com vitamina C, como em frutas cítricas, sua absorção pode ser consideravelmente melhorada.
Cálcio
Bebidas fortificadas, tofu com cálcio e vegetais de cor verde-escura são boas fontes. Mesmo assim, a absorção pode ser reduzida parcialmente por compostos como oxalatos.
Zinco
Embora esteja presente em leguminosas e sementes, sua biodisponibilidade pode ser restringida por fitatos, o que destaca a importância de uma dieta diversificada.
Ácidos graxos ômega-3
Alimentos como chia e linhaça são fontes de ALA. No entanto, de acordo com evidências metabólicas recentes, a conversão para EPA e DHA é limitada.
Vitamina B12 (fundamental)
Não é encontrado em alimentos vegetais não fortificados, representando um dos principais desafios da dieta vegana.
Vitamina D
A exposição solar é o principal fator. Em certas situações, pode ser necessário fazer uso de suplementos.
4. Veganos precisam suplementar vitamina B12? O que a ciência diz
As evidências científicas são claras: alimentos vegetais naturais não contêm vitamina B12. Revisões publicadas em periódicos como Frontiers in Nutrition e Clinical Nutrition sugerem que a deficiência pode se manifestar mesmo após anos de dieta vegana considerada adequada.
Alterações hematológicas e neurológicas estão relacionadas a baixos níveis de B12. Portanto, a suplementação não é uma opção, mas uma abordagem preventiva fundamentada em publicações científicas.
A dieta vegana pode ser adequada do ponto de vista clínico, porém requer acompanhamento dos nutrientes essenciais. Evidências publicadas em periódicos como Frontiers in Nutrition e Clinical Nutrition indicam que deficiências — particularmente de vitamina B12, ferro e vitamina D — podem surgir sem supervisão.
Nesse sentido, a identificação precoce de deficiências nutricionais pode ser facilitada por meio de avaliações laboratoriais regulares.
5. Você come bem, mas seu corpo não absorve? Entenda a biodisponibilidade
Biodisponibilidade refere-se à capacidade do organismo em absorver e empregar os nutrientes contidos nos alimentos. Isso significa que nem todos os nutrientes consumidos serão completamente absorvidos pelo organismo.
Em geral, a medição da absorção já fornece uma estimativa da biodisponibilidade, uma vez que, após serem absorvidos, os nutrientes ficam disponíveis para uso biológico, independentemente da origem alimentar.
Um aspecto importante a considerar é que a adequação nutricional não se baseia apenas na ingestão, mas também na absorção. Nesse cenário, compostos como fitatos e oxalatos, que estão naturalmente presentes em vegetais, podem diminuir a biodisponibilidade de minerais.
Publicações científicas divulgadas na Molecular Nutrition & Food Research indicam que os fitatos encontrados em grãos e leguminosas podem reduzir a absorção de minerais.
Dietas vegetais, principalmente em países com baixa renda, costumam conter altos níveis de fitato, um composto encontrado naturalmente em grãos e leguminosas que pode diminuir a absorção de minerais fundamentais como:
-
ferro;
-
zinco.
Literaturas científicas, sugerem que esse efeito pode afetar diretamente a biodisponibilidade desses nutrientes, demandando uma atenção nutricional mais cuidadosa.
Fitatos, que ocorrem naturalmente em grãos e leguminosas, podem reduzir a absorção de minerais como zinco e ferro. Técnicas como demolho, fermentação e germinação contribuem para reduzir esse impacto.
De acordo com revisão publicada na revista Nutrition Reviews, técnicas alimentares e de processamento são essenciais para maximizar a absorção de ferro e zinco em dietas baseadas em plantas.
Do ponto de vista clínico, a absorção de ferro e zinco pode ser reduzida pelo fitato, presente em dietas ricas em grãos e leguminosas. Portanto, é fundamental levar em conta a biodisponibilidade dos nutrientes, além de avaliar a ingestão.
Técnicas simples, como demolho, germinação e ingestão combinada com vitamina C, contribuem para aumentar a absorção. De acordo com evidências da Nutrition Reviews, essas estratégias podem diminuir o risco de deficiência, particularmente em grupos mais vulneráveis.
6. Nem todo alimento vegano é saudável: O risco dos ultraprocessados
A pesquisa publicada em Scientific Reports (FEDDE et al., 2025) observou que dietas à base de vegetais podem perder valor nutricional quando há um alto consumo de alimentos ultraprocessados. Estudos indicam que dietas veganas ricas em ultraprocessados podem ter um perfil nutricional inferior, com menor densidade de proteínas e micronutrientes.
Apesar de veganos e vegetarianos consumirem menos nutrientes como vitamina B12, ferro e zinco, não foi observada uma maior deficiência clínica, provavelmente em razão da suplementação. Evidências científicas demonstram que a questão principal não é a dieta baseada em vegetais, mas a elevada quantidade de alimentos ultraprocessados, que compromete a qualidade nutricional geral.
Os achados demonstram a importância do planejamento nutricional em dietas à base de vegetais. Isso significa que dietas baseadas em vegetais só são apropriadas quando cuidadosamente bem equilibrada, com monitoramento de alimentos ultraprocessados e, se necessário, suplementação (por exemplo, vitamina B12). A prioridade deve ser a qualidade dos alimentos e o suporte nutricional personalizado.
Deficiências invisíveis: riscos a longo prazo
Apesar de muitos sintomas demorarem a surgir, algumas deficiências podem se desenvolver de maneira silenciosa. Por exemplo, a falta de vitamina B12 pode causar mudanças neurológicas progressivas.
Publicações científicas divulgadas no Journal of Neurology sugerem uma ligação entre níveis reduzidos de B12 e deterioração cognitiva. Ademais, a falta de ômega-3 (DHA) pode afetar as funções cerebrais, principalmente a longo prazo.
A revisão publicada na revista Cureus ressalta que as dietas veganas podem resultar em deficiências significativas de nutrientes, afetando diretamente vários sistemas do corpo.
Um dos principais perigos é a falta de vitamina B12
Pode resultar em:
- Dificuldades neurológicas;
- Anemia;
- Modificações no DNA;
- A pesquisa indica que níveis reduzidos de B12 podem estar ligados a: Aumento do risco de câncer (em razão da instabilidade genômica)
Esses dados destacam a importância do acompanhamento laboratorial regular.
Veganos geralmente consomem:
- Menor quantidade total de proteína;
- Menor quantidade de aminoácidos essenciais.
Proteínas de origem vegetal:
- Possuem uma digestibilidade mais baixa, variando entre 50% e 70%;
- Podem ter um valor biológico reduzido.
O consumo adequado de leguminosas, soja e sementes requer planejamento.
Micronutrientes e minerais
A pesquisa indica um maior risco de deficiência de:
- Ferro (biodisponibilidade vegetal reduzida);
- Zinco (a absorção é dificultada por fitatos);
- Selênio;
- Cálcio;
- Vitamina D.
Possíveis efeitos:
- Queda de cabelo;
- Comprometimento do sistema imunológico;
- Alterações cognitivas;
- Transtorno depressivo.
Equívocos frequentes na alimentação vegana
- Falta de suplementação de B12;
- Ingestão excessiva de produtos veganos ultraprocessados;
- Consumo reduzido de proteínas;
- Ausência de planejamento alimentar.
Produtos veganos ultraprocessados podem levar a uma ingestão inadequada de diversos micronutrientes e geralmente contêm mais gordura, açúcar e sal do que as carnes e laticínios que imitam.
Apesar de dados clínicos indicarem que veganos tendem a consumir menos calorias em média, não é possível concluir que a dieta vegana, por si só, resulte em emagrecimento. O resultado está condicionado ao padrão alimentar global e ao equilíbrio energético.
Quem merece mais consideração
- Mulheres grávidas;
- Pessoas idosas;
- Crianças;
- Indivíduos portadores de doenças crônicas.
Nesses grupos, é fortemente aconselhado o acompanhamento de um profissional.
7. Dieta vegana no consultório: O que o farmacêutico precisa monitorar (e poucos explicam)
Em contexto clínico, o farmacêutico pode auxiliar a identificar possíveis desequilíbrios nutricionais e interações entre medicamentos, suplementos e alimentação.
No consultório, a atuação envolve principalmente:
- Acompanhar indícios de carência nutricional, como vitamina D, ferro e vitamina B12;
- Analisar possíveis relações entre dieta, suplementos e medicamentos;
- Instruir sobre a utilização segura e consciente de suplementos (sem necessidade de prescrição dietética);
- Reconhecer sinais clínicos que apontam para a necessidade de encaminhar o paciente ao nutricionista.
Ademais, o farmacêutico pode auxiliar na educação em saúde, na adesão ao tratamento e na orientação sobre mudanças graduais no estilo de vida, sempre respeitando os limites de sua atuação profissional.
8. Veja como montar um cardápio vegano saudável na prática
- Café da manhã:
Aveia com frutas, chia e bebida vegetal enriquecida - Almoço:
Arroz integral, feijão, brócolis e tofu grelhado - Refeição noturna:
Quinoa acompanhada de legumes e grão-de-bico - Lanches:
Frutas, nozes e iogurte vegetal enriquecido
Esses dados destacam a importância dos exames periódicos.
9. Dieta vegana pode afetar seus medicamentos? O que a ciência ainda não explicou
A literatura científica atual ainda não apresenta análises recentes diretas sobre farmacocinética em indivíduos veganos. Contudo, evidências relacionadas ao metabolismo, à microbiota intestinal e ao estado nutricional possibilitam a inferência de possíveis efeitos da dieta vegana na resposta a medicamentos.
A revisão publicada na revista Pharmaceutics ressalta que o uso prolongado de medicamentos pode resultar em deficiências de micronutrientes, frequentemente de maneira silenciosa e progressiva. Apesar de haver evidências de interações entre fármacos e nutrientes, as literaturas científicas ainda são limitadas e necessitam de maior solidez clínica.
Embora o risco seja maior em certos grupos, não há diretrizes claras para prevenção e manejo. Na prática, é aconselhado o acompanhamento nutricional e a garantia de uma ingestão adequada de vitaminas e minerais, com a suplementação sendo recomendada de maneira personalizada.
11. Dieta vegana pode alterar a resposta do organismo a medicamentos?
Com base nesses achados, especialistas sugerem que a dieta vegana pode, em teoria, afetar:
- A absorção de determinados medicamentos pode ser afetada por dietas com elevado teor de fibras;
- Metabolismo hepático (devido ao papel dos micronutrientes nas enzimas);
- A biodisponibilidade de medicamentos lipofílicos é afetada por mudanças no metabolismo das gorduras e na bile.
A microbiota, o metabolismo e a absorção de nutrientes podem ser alterados pela dieta vegana, abrangendo a:
- flora intestinal;
- absorção de nutrientes;
- vias bioquímicas.
Na prática, a estratégia deve ser personalizada, com acompanhamento clínico e análise do estado nutricional, principalmente em pacientes que usam medicamentos regularmente.
12. Medicamentos comuns podem alterar nutrientes e afetar a eficácia do tratamento, alerta revisão
Uma análise divulgada na revista científica Nutrients enfatizou que há várias maneiras pelas quais medicamentos e alimentos podem interagir, impactando o estado nutricional e a eficácia dos tratamentos, principalmente em pacientes com doença renal crônica (DRC).
Os pesquisadores indicam que medicamentos anti-hipertensivos, como inibidores da (IECA), bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA), betabloqueadores e diuréticos, têm o potencial de modificar o equilíbrio de minerais como potássio, sódio e magnésio.
Alguns medicamentos podem aumentar a eliminação de minerais como cobre e zinco no organismo, especialmente aqueles que possuem grupos sulfidrila em sua composição química. Entre eles estão a propiltiouracila e o metimazol, utilizados em distúrbios da tireoide, o captopril, pertencente à classe dos inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA).
De acordo com os autores, é fundamental que médicos e nutricionistas trabalhem juntos para ajustar os horários das refeições, a ingestão de nutrientes e o uso adequado de medicamentos, a fim de manter a segurança do tratamento e preservar o estado nutricional.
13. O que você come pode alterar o efeito dos medicamentos
A absorção, metabolização e eficácia de vários medicamentos podem ser afetadas por alimentos e bebidas, modificando seus efeitos no corpo. Em certas situações, essas interações podem diminuir a eficácia do medicamento ou elevar a probabilidade de efeitos colaterais.
-
Varfarina
A alimentação e os suplementos devem ser monitorados ao se usar varfarina. Pacientes devem evitar alterações drásticas na alimentação e o consumo excessivo de vitamina K, encontrada em vegetais folhosos, pois isso pode diminuir a eficácia do medicamento. Além do hipérico, que pode afetar a eficácia da varfarina e elevar os riscos de sangramentos ou complicações, é aconselhável evitar toranja, ervas e suplementos com propriedades anticoagulantes, como alho, gengibre e ginkgo biloba.
-
Furosemida
A eficácia e a absorção da furosemida podem ser diminuídas quando o medicamento é tomado com alimentos. Portanto, em certas situações, é aconselhável tomar o medicamento em horários distintos das refeições, de acordo com a orientação médica, para assegurar um efeito terapêutico mais eficaz.
-
Inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA)
A administração de inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA), como o captopril, pode resultar em menor absorção quando feita durante as refeições. Por esse motivo, recomenda-se geralmente tomar o medicamento cerca de uma hora antes das refeições para otimizar sua eficácia terapêutica.
-
Bloqueadores dos canais de cálcio (BCC)
O metabolismo de bloqueadores dos canais de cálcio (BCC), como o nifedipino, pode ser modificado quando ingerido com suco de toranja. Isso acontece porque a fruta afeta as enzimas do fígado que metabolizam o medicamento, o que pode aumentar sua concentração no sangue e elevar o risco de efeitos colaterais.
14. Como a microbiota intestinal influencia a absorção de nutrientes
A microbiota intestinal está envolvida em várias funções do organismo, como a digestão, o metabolismo e a absorção de nutrientes e a resposta inflamatória. O microbioma intestinal é considerado complexa e integrada, influenciando diferentes sistemas corporais por meio de conexões como os eixos intestino-cérebro, intestino-pulmão, intestino-pele e intestino-músculo. Essa interação reforça a importância do equilíbrio intestinal para a manutenção da saúde geral.
Pesquisas divulgadas na revista Nutrients indicam que a transformação desses compostos em metabólitos bioativos ocorre, enquanto seus efeitos no organismo dependem da atividade das bactérias intestinais.
Uma revisão sistemática publicada na revista científica Nutrients examinou 12 estudos realizados em humanos e encontrou indícios de que dietas baseadas em plantas podem favorecer a microbiota intestinal, além de aprimorar marcadores metabólicos e inflamatórios.
Revisões publicadas na Frontiers in Nutrition indicam que a conexão entre polifenóis e ecossistema intestinal é mútua. Além de serem transformados pelos compostos fenólicos, as bactérias intestinais também podem auxiliar em manter o equilíbrio da microbiota e a saúde metabólica.
A variabilidade individual é outro aspecto importante ressaltado em publicações científicas na Frontiers in Molecular Biosciences. As variações nas bactérias intestinais explicam a razão pela qual as pessoas reagem de maneira diferente à mesma dieta, principalmente em padrões alimentares com alto teor de compostos vegetais.
Na prática, isso destaca que simplesmente consumir alimentos saudáveis não é suficiente; a eficácia desses alimentos depende diretamente da microbioma intestinal, o que reforça a necessidade de estratégias de nutrição
15. A dieta vegana pode transformar o metabolismo
Revisões sistemáticas, também apontam variações metabólicas em indivíduos veganos, particularmente no que diz respeito à microbioma intestinal e ao metabolismo de lipídios.
- Aumento na produção de ácidos graxos de cadeia curta (SCFA);
- Redução na produção de metabólitos possivelmente tóxicos;
- Mudanças no perfil lipídico e no metabolismo da bile.
Revisões sistemáticas também apontam que, sem a suplementação adequada, pode haver uma ingestão menor ou níveis reduzidos de nutrientes como vitamina B12, vitamina D, ferro, zinco, selênio e iodo, todos fundamentais para processos metabólicos essenciais.
FAQ – Perguntas frequentes sobre dieta vegana e medicamentos
Conclusão
Em resumo, uma dieta vegana pode beneficiar a saúde cardiovascular e metabólica se for baseada em uma variedade de alimentos, planejamento nutricional e avaliação bioquímica apropriada dos nutrientes essenciais. Os benefícios de uma dieta vegana dependem, sobretudo, da qualidade dos alimentos, da diversidade nutricional e do monitoramento adequado dos nutrientes essenciais.
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