Além do Ozempic e Mounjaro: Novos Medicamentos para Diabetes e Obesidade
Autor: Tomás Savin — Redator de saúde
Revisado por Sérgio Medeiros — Farmacêutico CRF-59232 – Especialista em Farmácia Clínica
Revisão científica: Editor Científico VivaBemCsaude
Data de publicação: 06/08/2026
Data de revisão: 30/07/2026
Atualizado em: 02/08/2026
Fontes: PubMed, MDPI, Springer Nature, NEJM, Ministério da Saúde, The Lancet.
Os novos medicamentos para diabetes tipo 2 e obesidade marcam uma fase inovadora no tratamento de doenças metabólicas, combinando o controle da glicose com a perda de peso. Tratamentos como retatrutida, orforglipron, MariTide e insulina semanal estão em fase de estudo para expandir as alternativas além das terapias existentes.
O tratamento do diabetes tipo 2 vive um momento de transformação sem precedentes. A estratégia terapêutica evoluiu nos últimos anos, deixando de focar apenas no controle da glicemia e passando a considerar diversos outros aspectos da saúde metabólica. Além disso, a redução de peso se tornou um objetivo importante, e novas terapias começaram a mostrar benefícios para a saúde cardiovascular e renal. Enquanto o Ozempic (semaglutida) e o Mounjaro (tirzepatida) estão em destaque, uma nova geração de terapias promete ir ainda mais longe, trabalhando em mecanismos até agora não explorados.
De acordo com o estudo publicado na revista Endocrine, Metabolic & Immune Disorders – Drug Targets, o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) costuma aparecer a partir dos 30 anos, e sua ocorrência tende a crescer com o avanço da idade da população, atingindo aproximadamente 26% da população com mais de 65 anos.
Entretanto, a doença também tem se tornado mais comum entre crianças e adolescentes. O perigo é mais elevado entre os povos afrodescendentes, indígenas, asiáticos e latino-americanos. Apesar de o DM2 não ser considerado uma doença autoimune, fatores genéticos têm um papel significativo na propensão ao seu desenvolvimento.
Novos medicamentos para diabetes tipo 2 e obesidade
O tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 está passando por uma nova etapa de inovação científica. Além de controlar a glicemia e promover a perda de peso, os novos medicamentos visam melhorar a saúde metabólica e diminuir as complicações relacionadas a essas condições.
Os avanços mais recentes, particularmente no que diz respeito a terapias fundamentadas em mecanismos hormonais, como os agonistas do GLP-1, expandiram as alternativas terapêuticas e possibilitaram uma abordagem mais personalizada. Este artigo destaca os principais novos medicamentos para diabetes tipo 2 e obesidade, além do efeito dessas descobertas no futuro dos tratamentos.
A Nova Era do Diabetes: O Tratamento Vai Além da Glicemia
As doenças cardiometabólicas figuram entre os principais obstáculos à saúde pública no século XXI. Esse quadro é agravado pelo crescimento constante dos casos de obesidade, diabetes tipo 2 (DM2) e doenças cardiovasculares (DCV), condições que impactam milhões de pessoas e sobrecarregam os sistemas de saúde globalmente. Somado a isso, o impacto na saúde pública, a obesidade também gera altos custos econômicos. O custo anual da obesidade nos Estados Unidos é estimado em cerca de US$ 260 bilhões.
Do Controle da Glicose à Proteção Cardiovascular e Renal
Outro ponto relevante é que o excesso de peso está ligado a um maior risco de morte precoce, especialmente devido a doenças cardiovasculares, doença renal crônica, esteatose hepática e vários tipos de câncer, o que representa uma prevalência global padronizada por idade de 6,1%. Se essa tendência continuar até 2050, o número de pessoas com a doença pode exceder 1,31 bilhão. Adicionalmente, as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte e incapacidade em todo o mundo (TANASESCU et al., 2026).
De acordo com o Ministério da Saúde, a obesidade segue aumentando no Brasil. As informações do Vigitel indicam que, em 2024, 25,7% dos adultos brasileiros eram obesos, ao passo que 62,6% estavam acima do peso. Esse contexto destaca que a obesidade é uma doença crônica de múltiplas causas, afetada por elementos biológicos, comportamentais, sociais e ambientais, e constitui um dos maiores desafios para a saúde pública no Brasil.
O diabetes tipo 2 não é uma condição única. Ele acompanha a obesidade, a hipertensão, as dislipidemias e as doenças cardiovasculares. Por esse motivo, os especialistas começaram a apoiar uma estratégia que transcenda a mera redução da hemoglobina glicada (HbA1c).
O que as novas diretrizes recomendam para controlar o diabetes
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Redução do risco cardiovascular: Infarto e acidente vascular cerebral são as principais causas de óbito em pessoas com diabetes;
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Proteção renal: Aproximadamente 40% dos pacientes são afetados pela doença renal diabética;
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Controle do peso: A perda consistente de 10% a 15% do peso corporal pode ter efeitos modificadores da doença e até resultar na remissão do diabetes;
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Melhora da qualidade de vida: Com tratamentos terapêuticos mais simples e com menos efeitos adversos.
É nesse contexto que as novas terapias — muitas delas baseadas em hormônios incretínicos — vêm ganhando destaque. Mesmo considerando o aumento da obesidade tem agravado essa questão. De 1990 a 2021, as mortes e os anos de vida perdidos por incapacidade (DALYs) associados ao excesso de índice de massa corporal (IMC) cresceram mais de 2,5 vezes. Durante esse intervalo, diabetes, doença cardíaca isquêmica, hipertensão com comprometimento cardíaco, doença renal crônica e acidente vascular cerebral figuraram entre as condições mais relevantes associadas a um IMC elevado.
Nesse cenário, os dados indicam que, apenas em 2021, cerca de 52,2% dos DALYs globais relacionados ao diabetes tipo 2 foram atribuídos ao excesso de peso. Isso reforça as evidências de que a obesidade é um dos principais fatores que contribuem para o desenvolvimento de doenças cardiometabólicas (TANASESCU et al., 2026).
Retatrutida e o futuro dos medicamentos para diabetes e obesidade
A retatrutida constitui um avanço importante na farmacologia do diabetes. Ao contrário dos agonistas GLP-1 isolados (como a semaglutida) ou dos duais (como a tirzepatida, que combina GLP-1 e GIP), a retatrutida é um agonista triplo, o que significa que age ao mesmo tempo nos receptores GLP-1, GIP e glucagon (BAJAJ et al. , 2026).
Como esses medicamentos atuam no controle da glicose e do peso
Ao passo que o GLP-1 e o GIP potencializam a secreção de insulina e favorecem a saciedade, o glucagon eleva o gasto energético e ativa o metabolismo da gordura. A combinação desses três hormônios intensifica os efeitos na redução de peso e no controle da glicemia (BAJAJ et al., 2026).
De acordo com os pesquisadores, os agonistas do receptor de GLP-1 foram as primeiras terapias baseadas em incretinas a promover uma perda de peso clinicamente relevante, consolidando-se como um dos principais pilares no tratamento medicamentoso da obesidade. Levando esses aspectos em consideração, a retatrutida, um agonista triplo dos receptores de GLP-1, GIP e glucagon, apresentou reduções significativas e dependentes da dose em estudos clínicos de fase 2 conduzidos com adultos obesos.
Retatrutida: O Que Revelou o Estudo TRANSCEND-T2D-1
O estudo TRANSCEND-T2D-1, um ensaio clínico de fase 3 publicado na revista The Lancet em 2026, acompanhou 537 participantes ao longo de 40 semanas . Durante esse período, avaliou-se a retatrutida em 537 adultos diagnosticados com diabetes tipo 2 há menos de 2,5 anos, com níveis de HbA1c entre 7% e 9,5% e IMC ≥ 23 kg/m² -2-10.
Ao término do acompanhamento, os pacientes tratados com retatrutida mostraram uma diminuição na hemoglobina glicada (HbA1c) variando de 1,69% a 1,94%, ao passo que o placebo resultou em uma redução de 0,81%. De forma complementar, a redução média de peso variou entre 11,5% e 15,3%, em comparação com 2,6% no grupo placebo (BAJAJ et al., 2026).
No que diz respeito à segurança, os efeitos colaterais mais comuns foram de natureza gastrointestinal, geralmente leves a moderados e de curta duração. Não houve registros de hipoglicemia grave, e os dois óbitos que ocorreram durante a pesquisa foram considerados não vinculados ao tratamento. De acordo com a pesquisa, os resultados foram significativos:
Dose de retatrutida |
Redução média da HbA1c |
Perda média de peso corporal |
|---|---|---|
| 4 mg/semana | −1,69 ponto percentual | −11,5% |
| 9 mg/semana | −1,86 ponto percentual | −13,9% |
| 12 mg/semana | −1,94 ponto percentual | −15,3% (≈16,6 kg) |
| Placebo | −0,81 ponto percentual | −2,6% |
Fonte: Bajaj et al. (2026).
As pesquisas mostraram que a retatrutida trouxe benefícios importantes tanto no controle da glicemia quanto na redução do peso corporal.
Retatrutida: Benefícios Clínicos e Segurança Confirmados
Mais da metade dos participantes submetidos ao tratamento com retatrutida alcançou a meta de HbA1c ≤ 6,5% juntamente com uma redução de peso superior a 10% — um resultado que os pesquisadores acreditam ser capaz de modificar a doença.
Os efeitos colaterais mais frequentes foram de natureza gastrointestinal, incluindo náuseas, vômitos e diarreia, geralmente leves a moderados e temporários, apresentando um perfil semelhante ao de outros agonistas do GLP-1. Não foram registrados casos de hipoglicemia grave (BAJAJ et al., 2026).
Os resultados da pesquisa indicam que a significativa redução de peso proporcionada pelo retatrutida pode constituir uma alteração importante na estratégia de tratamento do diabetes tipo 2. Adicionalmente o controle glicêmico, a magnitude da redução do peso corporal sugere a capacidade de retardar a progressão da doença, diminuir o risco de complicações cardiometabólicas e aumentar os benefícios clínicos em indivíduos com sobrepeso ou obesidade (BAJAJ et al., 2026).
Estudos adicionais de fase 3 estão sendo realizados, comparando a retatrutida com semaglutida por 80 semanas (TRANSCEND-T2D-2) e analisando a combinação com insulina em pacientes com doença renal crônica (TRANSCEND-T2D-3).
Embora os resultados publicados na The Lancet indicam que a retatrutida pode ser uma opção promissora para melhorar o controle glicêmico e reduzir o peso em pessoas com diabetes tipo 2. No entanto, são necessários estudos de longo prazo para confirmar sua segurança e eficácia.
Orforglipron: Novo medicamento oral para diabetes e peso
De acordo com Wharton et al. (2025), em um ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine (NEJM), o orforglipron demonstrou uma redução significativa do peso corporal em adultos obesos.
A exigência de injeções diárias ou semanais é um dos maiores desafios para a utilização dos agonistas GLP-1. O orforglipron, um agonista GLP-1 oral de pequena molécula (não peptídico), tem o potencial de alterar essa situação.
Ao contrário de medicamentos peptídicos, como a semaglutida oral, que necessitam de formulações especiais para sobreviver à degradação no trato gastrointestinal, o orforglipron é uma molécula pequena e estável, podendo ser absorvida por via oral sem enfrentar as mesmas restrições logísticas (WHARTON et al., 2025).
Orforglipron: O que mostraram os estudos clínicos?
O estudo clínico ATTAIN-1, divulgado no New England Journal of Medicine (2025), analisou 3.127 adultos obesos sem diabetes tipo 2. Durante as 72 semanas de tratamento, o orforglipron, administrado oralmente uma vez por dia, promoveu redução significativa e dose-dependente do peso corporal, demonstrando maior eficácia conforme a dose foi aumentada. O quadro a seguir apresenta os principais resultados de eficácia observados após 72 semanas de tratamento.
| Dose de Orforgliprone | Perda de peso média | Proporção com perda ≥ 10% |
|---|---|---|
| 6 mg/dia | -7,5% | 54,6% |
| 12 mg/dia | -8,4% | 36,0% |
| 36 mg/dia | -11,2% | 18,4% |
| Placebo | -2,1% | 12,9% |
Fonte: Wharton et al. (2025).
Mais do que isso, seus efeitos no peso corporal, o orforglipron melhorou marcadores cardiometabólicos importantes, como a redução da circunferência da cintura, da pressão arterial sistólica, dos níveis de triglicerídeos e do colesterol não HDL. Esses resultados destacam a capacidade do medicamento tanto no combate à obesidade quanto na diminuição do risco cardiovascular ligado ao excesso de peso.
Benefícios metabólicos além da redução de peso
- Circunferência da cintura
- Pressão arterial
- Triglicerídeos
- Colesterol não HDL
De acordo com Wharton et al. (2025), o orforglipron pode representar uma alternativa significativa para indivíduos com obesidade, particularmente para aqueles que hesitam em usar medicamentos injetáveis ou que residem em áreas onde o armazenamento refrigerado desses tratamentos é restrito. Vale destacar também que, por se tratar de uma molécula pequena administrada por via oral, sua distribuição e armazenamento tornam-se mais simples e menos onerosos, o que pode facilitar a expansão do acesso ao tratamento em escala mundial.
Os efeitos colaterais foram principalmente gastrointestinais, de leve a moderado, e a taxa de descontinuação variou de 5,3% a 10,3% nos grupos tratados com orforglipron, em comparação com 2,7% no grupo placebo.
O orforglipron mostrou redução de peso dependente da dose e melhora de marcadores cardiometabólicos, sugerindo que pode ser uma nova opção oral para tratamento da obesidade. No entanto, são necessários estudos de longo prazo para confirmar sua segurança e eficácia na prática clínica.
Amycretina: O novo GLP-1 que amplia a perda de peso
De acordo com Fu et al. (2026), em uma revisão divulgada na revista Metabolism, com o aumento global da obesidade, cresce a demanda por tratamentos que proporcionem resultados melhores do que os medicamentos de alvo único. Nesse contexto, a amycretina, um coagonista que une a ação dos receptores de GLP-1 e amilina, surge como uma abordagem promissora. Pesquisas clínicas recentes sugerem que o medicamento aumenta os mecanismos de saciedade, retarda o esvaziamento gástrico e causa uma redução significativa no peso corporal.
Qual é a importância da amilina? Conforme uma revisão publicada na revista científica Diabetology, Podder et al. (2026) apontam que os agonistas múltiplos baseados em incretinas constituem uma das abordagens mais promissoras para tratar o diabetes tipo 2 e a obesidade.
Como funciona a combinação GLP-1 e amilina?
As células beta do pâncreas co-secretam amilopectina, um hormônio peptídico, juntamente com insulina. Ela age no sistema nervoso central para induzir a sensação de saciedade, atrasar o esvaziamento do estômago e regular a produção de glicose pelo fígado. Acredita-se que a combinação com o GLP-1 possa aumentar a perda de peso e melhorar o controle glicêmico por meio de mecanismos diferentes e sinérgicos.
O que os estudos mostram sobre a Amycretina?
Resultados divulgados na revista científica The Lancet indicam que a amycretina causou uma redução significativa do peso corporal em adultos com sobrepeso ou obesidade. No estudo clínico randomizado de fase 1b/2a, Dahl et al. (2025) monitoraram 125 indivíduos, sendo 101 tratados com o medicamento e 24 com placebo.
Durante o estudo, a redução de peso foi consideravelmente maior com a amycretina em todas as doses analisadas. A redução mais significativa foi observada com a dose de 60 mg, atingindo 24,3% do peso corporal após 36 semanas, em contraste com apenas 1,1% no grupo placebo. As reduções nas doses de 20 mg e 5 mg foram de 22,0% e 16,2%, respectivamente. Por outro lado, a dose de 1,25 mg resultou em uma perda média de 9,7%. Todas essas reduções foram superiores às observadas com placebo.
No que diz respeito à segurança, os pesquisadores notaram que os eventos adversos mais comuns eram de natureza gastrointestinal, geralmente leves a moderados, e semelhantes aos já relatados para agonistas dos receptores de GLP-1 e amilina. Em resumo, os resultados publicados na The Lancet indicam que a amycretina pode ser capaz de promover uma perda de peso clinicamente significativa.
No entanto, estudos de fases mais avançadas ainda são necessários para confirmar sua eficácia e segurança a longo prazo.
CagriSema: A nova aposta para obesidade e diabetes tipo 2
Segundo Davies et al. (2025), em um ensaio clínico publicado no New England Journal of Medicine, a combinação de cagrilintida e semaglutida mostrou benefícios consideráveis no controle do peso e do diabetes tipo 2 em adultos com sobrepeso ou obesidade.
De acordo com uma revisão sistemática conduzida por Hammadeh et al. (2026), publicada no Journal of the American College of Cardiology (JACC), a CagriSema demonstrou o melhor equilíbrio entre eficácia e tolerabilidade em comparação com os demais tratamentos analisados. Nesse contexto, favorecer uma perda de peso mais significativa e melhorar os parâmetros cardiometabólicos, o medicamento mostrou ser bem tolerado do ponto de vista gastrointestinal. Em contrapartida, os autores enfatizam que são necessários estudos de longa duração para confirmar esses benefícios.
O CagriSema mescla duas medicações em uma única injeção semanal: a semaglutida (agonista GLP-1) e a cagrilintida (análogo da amilina). O objetivo é utilizar os efeitos complementares de ambos para alcançar uma perda de peso mais significativa, e um melhor controle glicêmico. (HAMMADEH et al., 2026).
CagriSema: Dois medicamentos em uma só injeção. O que mostraram os estudos?
O estudo REDEFINE 2, divulgado no New England Journal of Medicine (NEJM, 2025), abrangeu 1.206 adultos com sobrepeso ou obesidade e diabetes tipo 2. Após 68 semanas, o CagriSema (2,4 mg de cada componente) causou.
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A perda de peso média foi de -13,7%, em comparação com -3,4% no grupo placebo;
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Proporção de pacientes com perda ≥ 5%: no grupo ativo, foi consideravelmente maior;
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Controle glicêmico: 73,5% dos pacientes alcançaram HbA1c ≤ 6,5% (em comparação com 15,9% no grupo placebo).
Uma meta-análise em rede publicada no Journal of the American College of Cardiology (2026) classificou o CagriSema como o tratamento mais eficaz para perda de peso, redução de HbA1c e melhora da pressão arterial sistólica, com um perfil de tolerabilidade gastrointestinal favorável em comparação com a semaglutida isolada (HAMMADEH et al., 2026).
Segundos os pesquisadores, os eventos adversos gastrointestinais foram relatados por 72,5% dos pacientes no grupo CagriSema, contra 34,4% no placebo — a maioria leve a moderada e transitória (DAVIES et al., 2025).
Apesar disso, as pesquisas indicam que a CagriSema leva a uma perda de peso significativa e a uma melhora no controle glicêmico em indivíduos com obesidade e diabetes tipo 2, apresentando resultados promissores em termos de eficácia e tolerabilidade. Mais estudos de longo prazo ainda são necessários para comprovar seus benefícios e segurança.
Insulina semanal efsitora alfa: Menos injeções, mesma eficácia
Evidências científicas sugerem que a efsitora alfa, uma insulina basal de uso semanal, pode tornar o tratamento do diabetes tipo 2 mais simples. Os estudos de fase 3 do programa QWINT mostraram que o controle glicêmico não é inferior ao das insulinas diárias. Ao mesmo tempo, uma revisão publicada na Expert Opinion on Pharmacotherapy (2026), ressalta seu potencial terapêutico, apesar de ainda serem necessárias pesquisas de longo prazo.
Para muitos pacientes com diabetes tipo 2, a terapia com insulina se torna indispensável. Porém, a exigência de injeções diárias representa um obstáculo considerável para a adesão. Estima-se que uma em cada quatro pessoas com diabetes tipo 2 não segue corretamente a dosagem recomendada de insulina basal, em parte por causa do peso das injeções diárias.
A efsitora alfa é uma insulina basal de uso semanal, criada com a tecnologia de fusão de proteínas, que estende sua meia-vida. É uma proteína de fusão que mescla um análogo de insulina com um domínio Fc de IgG2 humano, possibilitando uma aplicação subcutânea semanal com baixa razão pico-vale. Isso resulta em níveis de glicose mais estáveis durante a semana (RAMACHANDRAN; BATRA; DESOUZA, 2026)
Insulina Semanal Efsitora Alfa: O Que Mostraram os Estudos QWINT
Os estudos mais relevantes do programa clínico QWINT analisaram a eficácia e a segurança da insulina efsitora alfa em diversos perfis de adultos com diabetes tipo 2. Os ensaios clínicos publicados no New England Journal of Medicine e na revista The Lancet mostraram que o controle glicêmico não é inferior ao das insulinas basais usadas diariamente, é importante ressaltar que eles apresentaram resultados consistentes no que diz respeito à segurança. O quadro a seguir fornece um resumo dos resultados mais importantes de cada pesquisa.
Estudo |
Comparação |
Redução de HbA1c |
Observações |
|---|---|---|---|
| QWINT-1 (52 semanas) | Efsitora semanal vs. glargina diária | -1,31% vs. -1,27% | Controle glicêmico não inferior e ≈40% menos hipoglicemia clinicamente significativa (ROSENSTOCK et al., 2025). |
| QWINT-3 (78 semanas) | Efsitora semanal vs. degludeca diária | -0,86% vs. -0,75% | Controle glicêmico não inferior, hipoglicemia noturna semelhante (PHILIS-TSIMIKAS et al., 2025). |
| QWINT-4 (26 semanas) | Efsitora semanal vs. glargina diária | -1,07% vs. -1,07% | Controle glicêmico não inferior; mais pacientes atingiram HbA1c <7% sem hipoglicemia noturna.(BLEVINS et al., 2025). |
Fonte: Adaptado de Rosenstock et al; Philis-Tsimikas et al.; e Blevins et al. (2025).
Efsitora Alfa: O Que os Resultados Significam na Prática Clínica
De acordo com Rosenstock et al. (2025), pesquisadores do estudo QWINT-1, o regime de dose fixa da efsitora alfa semanal, fundamentado em apenas quatro opções de titulação, tem o potencial de tornar o início da insulinoterapia mais simples e diminuir a complexidade do tratamento para pacientes e profissionais de saúde.
Apesar dos estudos QWINT, em conjunto, mostram que a insulina efsitora alfa semanal proporciona um controle glicêmico semelhante ao das insulinas basais utilizadas diariamente, mantendo um perfil de segurança consistente. Outro ponto relevante é que os resultados indicam que diminuir a frequência das aplicações pode tornar o tratamento mais simples e melhorar a adesão terapêutica em adultos com diabetes tipo 2.
MariTide: uma nova estratégia com dosagem mensal
O MariTide (maridebart cafraglutida) é uma terapia de ação prolongada desenvolvida para tratar a obesidade. Seu mecanismo combina a ativação do receptor de GLP-1 com o bloqueio do receptor de GIP, abordagem que visa intensificar a perda de peso por meio de várias vias metabólicas.
Em um estudo clínico de fase 2 divulgado no New England Journal of Medicine, 592 adultos obesos, com ou sem diabetes tipo 2, foram submetidos ao tratamento mensal com maridebart cafraglutida (MariTide) ou placebo durante 52 semanas (JASTREBOFF et al., 2025).
Os resultados indicaram uma redução de peso de 12,3% a 16,2% no grupo com obesidade e de 8,4% a 12,3% no grupo com obesidade e diabetes, paralelamente, observou-se uma diminuição na HbA1c variando entre 1,2 e 1,6 ponto percentual. Em geral, os eventos adversos relatados foram principalmente de natureza gastrointestinal, sem novos indícios significativos de problemas de segurança, o que reforça a eficácia da terapia mensal.
MariTide: Por que essa combinação é diferente?
Ao passo que a maioria dos agonistas GIP, como a tirzepatida, age como agonista, o MariTide inibe o receptor GIP. Acredita-se que essa modulação diferencial possa levar a um perfil metabólico mais favorável, possivelmente com uma frequência de administração menor.
Os resultados indicaram melhorias em parâmetros cardiometabólicos, como a diminuição da pressão arterial e dos níveis de lipídios. Ao final do período de 52 semanas, não foi observado sinal de platô na perda de peso, o que indica que os benefícios podem continuar a aumentar com o tempo (JASTREBOFF et al., 2025).
O MariTide está sendo analisado em estudos de fase 3 no momento, como o MARITIME-2, que examina sua eficácia e segurança em adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou sobrepeso.
Embora os achados indicam que o MariTide pode ser uma opção promissora para tratar a obesidade, proporcionando uma perda de peso significativa e melhorando os parâmetros metabólicos. Contudo, os estudos de fase 3 serão fundamentais para validar sua eficácia e segurança em grupos maiores e por períodos mais longos.
Por que alguns pacientes não respondem ao Ozempic ou Mounjaro?
Nem todos os pacientes que recebem agonistas GLP-1 ou GLP-1/GIP experimentam os mesmos benefícios. Aproximadamente 10% a 15% dos usuários apresentam resultados insatisfatórios em relação à perda de peso ou controle glicêmico.
Possíveis explicações incluem:
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Fatores genéticos: polimorfismos no gene do receptor GLP-1 (GLP1R) podem influenciar a resposta. Um estudo citado em revisão recente mostrou que portadores do genótipo GG do rs3765467 tiveram redução de HbA1c duas vezes maior (1,7% vs. 0,8%) em comparação com portadores de outros genótipos (ALAVI et al., 2026).
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Microbiota intestinal: diferenças na composição da flora intestinal podem afetar a produção de incretinas endógenas.
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Resistência incretínica: alguns pacientes podem apresentar menor sensibilidade aos efeitos dos agonistas.
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Adesão: a não adesão ao tratamento ou às mudanças de estilo de vida compromete os resultados.
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Comportamento alimentar: a resposta à supressão do apetite varia entre indivíduos.
A identificação desses fatores e a personalização da terapia — possivelmente com auxílio da IA — representam os próximos passos na evolução do tratamento.
O futuro: Prevenir diabetes antes dos sintomas
A nova era do diabetes vai além do tratamento — ela se concentra na prevenção. Estão sendo criados biomarcadores, análises genéticas e algoritmos de inteligência artificial para detectar pessoas com alto risco de desenvolver diabetes tipo 2 anos antes do diagnóstico clínico.
Pesquisas envolvendo agonistas GLP-1 em indivíduos com pré-diabetes já indicaram uma redução considerável na evolução para diabetes. Espera-se que as novas terapias — particularmente as combinações multi-hormonais — possam ser aplicadas cada vez mais em estágios iniciais, com a capacidade de alterar o curso natural da doença.
Os desafios da nova era do diabetes
Apesar dos avanços, a incorporação dessas terapias na prática clínica enfrenta desafios importantes:
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Preço elevado: os novos medicamentos são significativamente mais caros que as terapias tradicionais, o que limita o acesso, especialmente em sistemas públicos de saúde.
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Acesso pelo SUS: no Brasil, a incorporação de novas tecnologias no Sistema Único de Saúde (SUS) é um processo moroso, que envolve avaliação de custo-efetividade pela CONITEC.
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Efeitos adversos: os eventos gastrointestinais,mesmo que em geral leves e transitórios, podem levar à descontinuação em uma parcela significativa dos pacientes.
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Acompanhamento médico: a complexidade das novas terapias exige acompanhamento especializado e educação do paciente — o que nem sempre está disponível.
Por outro lado, o potencial de redução de complicações como infarto, acidente vascular cerebral, doença renal e insuficiência cardíaca pode, a longo prazo, justificar os custos e gerar economia para os sistemas de saúde (BAILEY, 2026).
Nota de transparência: Este artigo compila evidências de pesquisas clínicas recentes a respeito de terapias em desenvolvimento para diabetes tipo 2 e obesidade. Até a data da última atualização, fármacos como retatrutida, orforglipron, amycretina, CagriSema, efsitora alfa e MariTide ainda não haviam recebido aprovação da Anvisa para registro sanitário e comercialização no Brasil. Como resultado, esses medicamentos não podem ser utilizados de forma clínica rotineira no país (ANVISA, 2026).
Medicamentos aprovados no Brasil além do Ozempic e Mounjaro
Além do Ozempic e Mounjaro, quais outros medicamentos foram aprovados no Brasil?
O Brasil já conta com terapias modernas para diabetes tipo 2 e obesidade, aprovadas pela Anvisa. Entre elas estão os agonistas GLP-1, como semaglutida e liraglutida (Ozempic®, Wegovy®, Rybelsus®, Victoza® e Saxenda®). Também está disponível o agonista duplo GLP-1/GIP tirzepatida (Mounjaro®).
Há também novas alternativas com semaglutida sintética aprovadas em 2026, além de insulinas basais modernas, como glargina e degludeca.
A aprovação da ANVISA valida a análise da qualidade, segurança e eficácia do medicamento para as indicações permitidas. O tratamento deve ser personalizado e conduzido sob supervisão profissional.
Perguntas Frequentes (FAQ) — Novos Medicamentos para Diabetes e Obesidade
P1. Quais são os novos medicamentos para diabetes e obesidade além do Ozempic e Mounjaro?
Os novos medicamentos em desenvolvimento constituem uma geração inovadora de terapias metabólicas, como retatrutida, orforglipron, amycretina, CagriSema, efsitora alfa (insulina semanal) e MariTide.
Essas terapias visam melhorar o controle da glicose, aumentar a saciedade e promover uma maior perda de peso corporal, atuando em diversos mecanismos, como os receptores GLP-1, GIP, glucagon e amilina.
P2. A retatrutida, orforglipron e amycretina já estão aprovados para uso no Brasil?
Não – Até agora, esses medicamentos não têm aprovação da Anvisa para uso no Brasil. Eles permanecem em diversas etapas de desenvolvimento clínico ou análise regulatória em outros países.
P3. Qual é a diferença entre os novos medicamentos e os atuais tratamentos como Ozempic e Mounjaro?
Os medicamentos mais novos visam potencializar os efeitos percebidos com os agonistas de GLP-1. Ozempic (semaglutida) age principalmente no receptor GLP-1, enquanto Mounjaro (tirzepatida) combina a ação dos receptores GIP e GLP-1.
Novas terapias, como retatrutida (GLP-1/GIP/glucagon) e amycretina (GLP-1/amilina), podem atuar em diversos alvos metabólicos, oferecendo potencial para aprimorar a perda de peso e o controle metabólico.
P4. A insulina semanal efsitora alfa poderá substituir as insulinas aplicadas todos os dias?
A efsitora alfa é uma insulina basal de uso semanal, criada para simplificar o tratamento do diabetes tipo 2.
Os estudos clínicos do programa QWINT mostraram um controle glicêmico comparável ao de algumas insulinas basais diárias, com a possibilidade de aumentar a adesão ao tratamento. No entanto, sua utilização estará sujeita às aprovações regulatórias e às indicações específicas para cada perfil de paciente.
Conclusão
De forma complementar, a nova geração de medicamentos para diabetes constitui um avanço significativo no tratamento da condição. As terapias que utilizam uma combinação de hormônios como retatrutida, amycretina e CagriSema proporcionam benefícios que ultrapassam o simples controle glicêmico, exercendo efeitos significativos sobre o peso, risco cardiovascular e qualidade de vida. O orforglipron e a insulina semanal têm o potencial de diminuir obstáculos logísticos e aumentar a adesão, ao passo que a inteligência artificial promete oferecer um atendimento personalizado como nunca.
O futuro do diabetes é mais otimista do que jamais. No entanto, como de costume, garantir o acesso equitativo e a personalização do tratamento permanecerão sendo os principais desafios — e as principais oportunidades.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou a orientação de um profissional de saúde. Apenas com orientação médica é permitido o uso de medicamentos.
Metodologia e revisão científica: Conteúdo elaborado com base em literatura científica atual, estudos clínicos e diretrizes reconhecidas, com revisão técnica por profissionais da área da saúde para garantir precisão e confiabilidade das informações.
Referências
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